Apelo a Einstein
A carta transcrita abaixo foi entregue ao "Que Papo É Esse?" por um carteiro há muito aposentado, que decidiu ficar com ela depois de um terrível engano da empresa de correios, que infelizmente, jamais seria reparado. Ela foi postada em Ibiritiba do Norte, no início dos anos de 1950, mas permaneceu esquecida por longo tempo na bolsa do carteiro.
Talvez porque o envelope, onde o remetente anotou em um dos cantos “vai com Deus carteiro amigo”, estivesse todo sujo de andar em mãos poeirentas de lavrador; talvez por ter ficado amarfanhado em uma ruga da lona, ou simplesmente por mero acaso.
Esta publicação não vai reparar o engano; é um mínimo para rever o que provocou o século da grande teoria, as novas maneiras de enxergar o mundo. É um documento de uma época impactante, uma singela e humilde manifestação de um ser humano mais que comum.
Viagens no tempo que desafiam a árvore genealógica; anti-matéria, buraco negro, Big Bang, bomba atômica, ´laser`, Teoria da Incerteza... Essa profusão de novas maneiras com que se descrevem os fenômenos naturais, o mundo, em suma, fez um capiau aflito (tentar) corresponder-se com o gênio da Física.
Quase dez anos depois de postada, quando a empresa decidiu renovar o uniforme e trocar as sacolas dos carteiros, a carta foi encontrada. Mas aí já era tarde. O remetente e Einstein já haviam morrido.
“Ibiritiba do Norte, maio de 1951
Seu Einstein perdoe minha ignorância, mas essa história de tempo-espaço ou espaço-tempo só confunde. Onde eu encaixo na minha vida ordinária esse negócio de ser o tempo unido com o espaço e formando uma quarta dimensão do nosso mundo? Gente como eu, meu vizinho, meu tio, não consegue nem pensar nessa coisa. Por tudo isso e muito mais, tomo a liberdade de enviar essas mal traçadas linhas, aliás, mal estudadas também.
Na carteira da escola, uma rural, muito boa, que a professora ainda hoje viaja a pé cinco quilômetros, aprende-se que temos somente três dimensões. E que podemos fazer várias coisas com elas, aquilo tudo o que o senhor sabe melhor que eu: ir pra lá e pra cá, pra cima e pra baixo, calcular a área, o volume etc. Mas tempo... Sei lá; a gente aqui no sítio às vezes vê passar brincando com capim na boca.
O que me preocupa é se eu pegar as três dimensões que temos e multiplicar pela quarta. Muda alguma coisa nas minhas vacas, no sítio, em tudo o que possuo? Perdoe qualquer falta de recurso da minha parte, mas minha dúvida é simples e não conte a ninguém, por favor: eu também tenho quarta dimensão?
Tudo embaralha minha cabeça e por isso, talvez uma breve palavra sua nos esclareça. Para nós daqui do sítio, tempo ainda é um sei lá mesmo, um mistério! As estrelas giram, a noite passa, o galo canta, eu ordenho as vacas e logo depois vem o sol, que cruza o céu sempre igual, vai embora e tudo volta a acontecer. E a gente vai ficando mais velha...
Desculpe se for grosseiro, seu Einstein, mas sou sincero: nessa vidinha tranqüila, o sol lá, nós aqui, o capim na boca e só com três dimensões mesmo, sequer sentimos falta da quarta.
Mas isso não me deixa menos preocupado, já que quero me esclarecer. Portanto, seu Einstein, saiba que por causa dessas suas idéias, as coisas só pioraram na vida aqui na roça! O pessoal tá andando de olho mais aberto que nunca!
Também pudera: alguém vem dizer que nada está no lugar que está porque é tudo incerto? Que a matéria, a terra que a gente ara todo santo dia, nem sempre é matéria? E tem mesmo essa tal de anti-matéria? Jesus! Ela destrói tudo! E os famintos buracos negros, meu deus!
A gente vê uma coisa aqui, outra acolá e fica pensando sem chegar a lugar algum (bom, pro senhor, “lugar algum” deve ser o normal, mas pra gente aqui do sítio, precisamos até do ponto de ônibus no lugar dele!).
Cruz credo, seu Einstein, a turma anda assustada. Já temos assombrações demais por aqui! Imagine só se eu ainda tiver que correr do meu antieu?
Por favor, seu Einstein, antes que qualquer coisa aconteça, não deixe de me esclarecer.
João Maia”
Escrito por arayaray às 22h47
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História da modernidade - 1
Perguntas ainda não respondidas sobre a evolução das artes

1) Os neandertais que passavam o tempo procurando pigmentos na floresta, horas a preparar as tintas e depois ficar desenhando bizões, cervos e homens enfrentando grandes caças nas paredes das cavernas eram chamados de "esquesitos"? Era tarefa de homens ou mulheres? Ou dos dois?
2) Pobres perfumistas da Pedra Polida! Não restou nada de anos de trabalho. E agora vêm esses franceses...
2) E quem fazia as indumentárias dos documentários que por causa do ambiente frio e chuvoso algumas tribos primitivas precisavam usar?
3) Por que o homem primitivo decidiu polir a pedra?
Escrito por arayaray às 22h52
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Sai de baixo
In God We Tru$t
A queda de impérios não é novidade na história da humanidade. E como não sobrevivem de gentilezas, mas de extorsões, roubos, como os da Petrobras; tramas políticas, assassinatos, ameaças, guerras, é bom que passem mesmo e pulemos pra outra. Melhor que esta.
Talvez a novidade é estarmos assistindo a uma queda - privilégio da História? Tragédia humanitária? O fim do último império foi arrasador para a Europa. Quem sabe onde vão dar os caminhos da Nova Roma, pressionada pelas mudanças no ambiente, a escassez de petróleo, dos lucros...
Nesta queda atual, eles têm brinquedos muito mais perigosos.
Escrito por arayaray às 23h05
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Surpresas do espaço

A sonda Cassini descobriu petróleo e carvão na lua Titã, em Saturno.
Segundo a Nasa e ESA, o volume dessas substâncias na lua saturnina é muitas vezes maior que as reservas da Terra. Os 'capetalistas' vão crescer o olho!
Escrito por arayaray às 21h43
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praia
o mar joga ondas pela janela
transfico em peixe
faiscamando na areia
seta no esqueleto de pescado
madrepérola na missereia
pomariscos e carangueixas
transitantes
o oceano esparrama seu excesso na praia
Escrito por arayaray às 22h57
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Retrato urbano
grande cidade esconde o Sol
nuvens baixas trazem
chuvas de metais pesados
no céu do aeon relâmpagos neons
abracadabram-se em códigos de barra
dúvidas do self-service:
marmitex, bem-me tex?
Escrito por arayaray às 22h45
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o jardim
o mundo atravessa a rua às seis da tarde
num sinal verde termina mais o dia
tempo quente, vida fria
tiro sonhos da manga
enquanto procuro um caminho pra casa
boca farta, vida mofina
desafio o espírito da paisagem:
árvores soltas do horto, gente perdida no reino
Escrito por arayaray às 22h28
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Meia vida, volta e meia
de tudo um pouco chega a quanto?
quanto pouco de cada forma um inteiro?
meias palavras formam um sentido?
quantas meias verdades formam uma inteira?
quantas mentiras?
algumas meias idades completam uma gente?
quantas idades formam um ente?
a quantas meias anda?
Escrito por arayaray às 22h20
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Tonteia
breve vertigem
baixa pressão nas têmporas
os sentidos multiplicam
e as sombrancelhas andam pelo rosto
nenhuma sombra nos olhos.
elas invadem o nariz
o coração acelera
as pintas pulam como pulgas
alguém! pare um par de pestanas
na contramão da corrente sangüínia!
de passagem pela boca
me plantaram pêlos na língua
estou morto ou estou louco?
respiro ou não respiro?
minhas partes anarquisaram
coçam os dentes, caem os pêlos
o suor frio sai em bicas
verrugas escorrem pela barriga
estou branco
ou estou louco?
acho que já sou morto.
respiro ou não respiro?
meu cabelo feito um ninho de minhoca
umas poucas estrias
viram a carne em voçorocas
o corpo cataclisma-se
e nenhum doutor pra ajudar
nada para ver bem de perto
que meus olhos viraram pó de deserto
claro que estou morto
respiro ou não respiro?
Escrito por arayaray às 23h32
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Capitalismo x Humanidade - 1
In God We Tru$t
Não se viu nos jornais interpretarem a decisão do País Sem Nome (os estados unidos ao Sul do Canadá e ao Norte do México) de aderir à redução de emissões de gases do efeito estufa, sobretudo gerados pelo petróleo. Só em 2025, planeja o benevolente governo a serviço da máquina "capetalista".
É a farsa do que é ruim mesmo; mas como se diz na lógica deles, uma jogada de mestre. É porque em 2025 ninguém precisará fazer esforço algum para reduzir as emissões de petróleo, não. Ele estará praticamente extinto no planeta, segundo previsões de pesquisadores e indústria (e salvo o Brasil com o campo de Tupi, por exemplo).
Enfim, conta outra. Mais uma farsa do petroboy e sua turminha no governo, que em alguns veículos foi divulgada como "mea culpa" pela burrice adotada até agora em relação às políticas ambientais. A há!
Mas o lance é que estão dando mais um golpe. Quer dizer, fazendo bons negócios...
Alguém desses gabinetes do lucro perguntou pra Terra se ela topa?

Escrito por arayaray às 23h50
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Passa o tempo, muda o cenário
Uma constatação de que o homem é o mesmo de três mil anos ou mais atrás é a atualidade da ética de Aristóteles.
Uma palhinha está aqui.
Escrito por arayaray às 13h51
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Conhecendo Marte - III
A Nasa divulgou nesta sexta mais fotografias do que considera serem cavernas em morros de vulcões marcianos. E mais uma vez se deixa enganar pelas imagens - os pesquisadores acreditam que sejam apenas buracos, embora também já saibam que lá dentro a temperatura varia de maneira diferente das cavernas aqui da Terra, resfriando de dia e esquentando à noite. Só cientista pra não ver que à noite os marcianos acendem suas lareiras.
O "Que Papo é Esse?" só tem a lamentar que os pesquisadores da Nasa não acompanhem as lições sobre Marte publicadas em suas edições. Em dezembro de 2006, sob o título “Conhecendo Marte” (leia aqui), o blog adiantou com exclusividade aspectos da vida marciana provando com fotos tiradas pela própria sonda que está no planeta, a Odisséia Marciana (Mars Odissey). Se lessem, já saberiam que os marcianos vivem no subsolo, de onde saem apenas para cuidar do cultivo de pedras com as quais fazem sua comida.
Uma das fotografias, a de tom marrom ferrugem, mostra também marcas no solo em forma de estrias que os cientistas julgavam ser registros de água em forma líqüida. Claro que não é. São apenas os restos moídos das pedras usadas na alimentação marciana.
As outras são um close de um buracão na encosta de um vulcão (abaixo) e uma montagem de fotos aéreas das 'sete irmãs', como chamaram os cientistas - tem um monte de engenhocas terráquias rondando aquele pobre planeta.


Escrito por arayaray às 19h56
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Bicharada
O Le Monde Diplomatique lançou o Manifesto pela Libertação dos Animais, esses pobres coitados a quem humanos "civilizados" tratam como coisas e... comida, nada mais. O texto está aqui.
O debate é antigo, mas mais do que nunca hoje pertinente: gastamos mais água do que se poderia para produzir muito pouca carne bovina - uns bons milhares de litros para 1 quilo -, queima-se mais floretas para pastagens.
Está demonstrado que muito pouco, geneticamente, diferencia 'bicho' e gente. Bicho é outro tipo de gente deste planeta! Mas se tanto discrimina as etnias humanas, índios, negros, como enxergar pessoa em quadrúpedes, alados, rastejantes e 'nadantes'?
O interessante é que na defesa dos animais - uma luta "humanitária" acabar com a chacina diária de bilhões de várias espécies de seres -, é a mesma briga por acabar com a violência de humanos com humanos. Alguém imagina a cultura da paz na humanidade atrelada à indústria da carne?
Alguém já viu o boi no abatedouro? Sabem antes da morte e têm um sofrimento psicológico... Tentam fugir.
"Humano que mata bicho, mata gente"
“A diferença de inteligência entre o humano e o animal mais evoluído é uma questão de grau e não de espécie” (Darwin)
Bicho é gente!
Escrito por arayaray às 15h44
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Tevês
Tevê a cabo brasileira: people+arts, lost, discovery, national geographic, kids, disney, cliford, pigly winks, house and watershit, babylon, save ums, charlie, emily...
Também quero uma tevê pra alugar aos sócios das trans-bush-murdock-sionistas-nazistas-entertainmentco.
Escrito por arayaray às 22h54
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Criança Esperança
Está no ar as chamadas para mais uma edição do Criança Esperança. É uma boa causa, mas tem um viés "capetalista": seu dinheiro é de fato repassado à Unicef, mas a empresa também utiliza a campanha para ganhar algum às suas custas: quando você faz a doação através do Criança Esperança, a empresa usa esse dinheiro - que saiu do seu bolso - como doação DELA à Unicef, deixando de pagar mais de R$ 20 milhões em imposto à Receita Federal - doações podem ser deduzidas do IR.
Você nunquinha vai poder debitar do IR sua doação porque "Criança Esperança" não é uma entidade jurídica.
Doe diretamente à Unicef: aqui.
Escrito por arayaray às 09h24
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